Vida e Obra de Almeida Garrett
- Ana Gomes
- 21 de mai. de 2021
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João Batista da Silva Leitão nasceu no Porto a 4 de fevereiro de 1799. Foi criado num ambiente burguês durante parte da sua infância pelos seus pais embora se considerasse descendente de nobres irlandeses e por esse motivo tenha adotado o nome pelo qual se tornou conhecido, Almeida Garrett. Durante este período Garrett teve duas criadas que o marcaram e contribuíram para que ele se tornasse etnógrafo no futuro.
Aos 10 anos mudou-se para os Açores com a sua família onde tinha alguns familiares sendo que o seu pai era original de lá. Posto isto a sua educação fica ao encargo do seu tio D. Frei Alexandre da Sagrada Família e Garrett recebe uma educação clássica e humanística. É também neste período que decorrer algumas das fascinantes histórias da sua rebeldia cujas quais a veracidade não é certa.
Em 1813, Garrett começa a revelar a sua vocação poética e no ano seguinte parte para Coimbra para iniciar os seus estudos na Universidade de Coimbra (estudo de Leis). A vida na universidade foi um dos grandes fatores que impulsionou o seu interesse na política e na filosofia. Almeida Garret era visto como alguém revolucionário e irreverente.
Publicado em 1820 o seu primeiro livro “O retrato de Vênus” gerou um processo tribunal por ser considerado um livro “ousado” na época.
Almeida Garret possuía uma forte ligação com a história política do liberalismo e fez parte da vida política por muito tempo e é com base na política que surgem algumas das suas obras dramáticas, Garrett usa o teatro como meio de atuação cívica. Torna-se chefe dos estudantes liberais após o triunfo da revolução liberal de 1820 e a pedido dos seus colegas acaba por escrever a obra “ Catão”, uma fusão equilibrada entre a expressão clássica e a temática vintista, é na apresentação da mesma que conhece Luisa Midosi com quem se casa após a sua formatura em direito. Com a chegada do partido conservador que apoia o Infante D. Miguel, Garret foi obrigado a se exiliar de 1823 a 1826, emigra para Inglaterra, e após estudar os principais românticos se torna ele próprio um escritor romântico aprendendo a conciliar a tradição com a inovação e acompanhado do liberalismo. Na cidade de Paris, publicou os poemas “Camões” e “Dona Branca”, sendo os primeiros textos românticos portugueses.
No ano de 1832, regressa a Portugal e integra-se na expedição liberal, comandada por D. Pedro. Para além da sua integração na expedição liberal, Garret incorpora também o Batalhão Académico e participa nas reformas legislativas do novo regime, já em 1836, no cenário da revolução de setembro, ajuda a redigir a constituição de 1838.
Garret torna-se deputado durante a revolução de setembro e atua também na educação setembrista ao contribuir para renovação da dramaturgia nacional, nesse período, cria o Jornal de teatros e a peça “Um Auto de Gil Vicente”.
Nos anos 40 Garret mostra-se em oposição ao governo autoritário de Costa Cabral, mas sendo um período sensível na política ocorre o desvirtuamento do ideal liberal, em 1847, afasta-se da vida pública. Durante esse período de desilusão na política, Garret escreve obras como “O Alfageme de Santarém”, “Frei Luís de Sousa”, “Viagens na Minha Terra” e “O Arco de Sant’Ana” e a partir desse momento nascem as criações literárias de Garrett.
Em 1841 a jovem, Adelaide Deville Pastor, por quem ele se havia apaixonado após o fim do seu relacionamento com Luisa Midosi, morre deixando lhe uma filha que ele não poderá legitimar. O amor de Garrett por sua filha é grande e esta ganha expressão na obra Frei Luís de Sousa através da personagem de Maria.
Os seus últimos anos de vida são tomados pela paixão fatal que ele tem pela Viscondessa da Luz, Rosa de Montufar, uma mulher casada e da alta sociedade lisboeta em quem são inspiradas “Folhas caídas”, um livro que escandalizou a época, e Flores sem Fruto, obras que marcaram uma grande evolução do lirismo romântico.


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