Ficha de Leitura: 1984
- Ana Gomes
- 27 de fev. de 2022
- 5 min de leitura

Assunto/problema (ou pergunta de partida)
O livro “1984” é uma grande metáfora às sociedades modernas e mostra os perigos do totalitarismo.
O Estado/Partido controla a mente/pensamento dos cidadãos e para tal utiliza diversos métodos como a teletela, a polícia do pensamento, a novilíngua, entre outros.
Conceitos-chave (entre 3 e 5)
1. Totalitarismo
2. Manipulação
3. Socing / Socialismo
4. Grande Irmão
5. Distopia
2ª Parte
Análise de conteúdo (3-5 citações curtas e significativas com indicação da página entre parêntesis)
A novilíngua (língua oficial da Oceânia) é um idioma criado pelo governo, as palavras desnecessárias são eliminadas (exemplo: o mau deixa de existir, passando a não bom, logo o que é mau deixa de existir). Este idioma, por ser reduzido, torna-se pouco expressivo, esta é uma das formas que o governo utiliza como forma de manipulação da população, controla as mentes e impede pensamentos indesejáveis.
A teletela está presente por toda a parte na Oceânia, funciona como uma televisão que no seu interior tem uma câmara pela qual o partido observa tudo, nem na própria casa existe privacidade, “Nada era teu, exceto os poucos centímetros cúbicos dentro do crânio.” (pág. 35). Ouviam e viam as pessoas, estavam sempre a observar, não passava um dia em que os espiões e os sabotadores não fossem apanhados pela polícia, seduzidos pelos ideais de Goldstein.
A polícia do pensamento faz uso da psicologia e da vigilância para eliminas membros da sociedade que pensem em ir contra o Partido. É baseada nos métodos utilizados pelos regimes autoritários do século XX (por exemplo: Pide; Gestapo…), “Crime de pensamento não acarreta a morte: crime de pensamento é a morte.” (pág. 24). A polícia do pensamento localiza-se dentro do ministério do Amor (um dos quatro ministérios que governam o império da Oceânia), este edifício era o mais protegido da cidade “Para entrar era necessário navegar por um labirinto de novelos de arame farpado, portas de aço e redutos onde se escondiam metralhadoras.” (pg.7).
O minuto do Ódio passava diariamente, mesmo se estivessem a trabalhar, as pessoas tinham de parar e vir assistir ao discurso que era transmitido no Telecrã. As pessoas ao fim de pouco tempo a ouvirem o discurso de ódio dirigido a Goldstein estavam enraivecidas, saltavam dos seus lugares e gritavam o mais alto que conseguiam. No caso de Winston, o personagem principal do “1984”, estava em constante mudança de espírito, tinha raiva de Goldstein, o inimigo do Estado e ex-membro do partido que fora renegado pelos ideais revolucionários contra o partido e condenado à morte, e logo de seguida esta dissipava-se, sendo transferida para o Grande Irmão, o partido e a polícia do pensamento. Era cantado um cântico, um hino à sabedoria e majestade do Grande Irmão, isto mantinha a população na linha, deixando-os às cegas pela raiva e o ódio.
Posição crítica do autor sobre o assunto/problema
Quanto à posição crítica do autor, George Orwell leva os princípios dos regimes totalitários que viveu a um nível extremo. George Orwell viveu entre a década de 30 e a década de 40 do século XX.
A vida que Orwell levou, consegue-se rever em parte nesta obra, ele mostra-nos exemplos de como a inibição de relações amorosas e demostração de afetos em público podem levar um ser humano a fazer, o medo explorado pelos ministérios acaba por ser o medo que George Orwell via nas pessoas e temos também o caso da Segunda Guerra Mundial em que houve o genocídio em massa de judeus, acabando por se relacionar de certo modo com as mortes efetuadas aos traidores do partido/aos membros da irmandade.
George Orwell foi também jornalista, exerceu a sua profissão num ambiente opressor e com laque de liberdade, ele lutou contra o fascismo na guerra civil espanhola.
Contributos da obra para a compreensão do assunto/problema
Esta obra fez-nos pensar sobre a realidade em que vivemos nos dias de hoje e até que ponto não estamos a assemelharmo-nos em certas instâncias à obra.
É tão fácil hoje em dia descobrir onde uma pessoa mora ou onde ela está à distância de um clique. Vivemos numa era digital em que tudo está disponível no minicomputador que temos dentro do bolso, uma prótese técnica que não conseguimos largar nem por um segundo. Se vamos a Ibiza de férias temos a necessidade de dizer no Instagram “olham onde estou” e la mandamos uma foto da praia, do hotel (se for preciso até dizemos em qual hotel estamos hospedados).
Tudo isto está de uma maneira ou de outra exposta na obra através de diversos meios e Orwell não podia estar mais certo no que diz, um dia, nem dentro do nosso pensamento iremos ter liberdade, um dia irão criar qualquer tipo de máquina que se veja livre a toda e qualquer liberdade que temos nos dias de hoje.
3ª Parte
Apreciação geral sobre o interesse da obra (O autor tratou convenientemente o assunto?)
O autor aborda o tema de uma forma interessante. Ele cria uma história envolvente que nos faz entrar neste universo distópico que deixa o leitor, e por consequente, deixa-nos a nós a pensar: E se fosse eu a viver ali? Será que eu seria apenas mais um pião do Grande Irmão, ou iria ter um posicionamento como Winston e Júlia.
Ponto de vista dos recenseadores sobre o assunto (e.g. concordam ou discordam acerca da posição crítica do autor? Justificar.)
É uma obra bastante atual. Relata os factos de uma maneira ficcional, mas que se evidenciam nos dias de hoje, pois existem regimes opressores. O livro está muito bem escrito, tem uma sequência lógica de acontecimentos.
Problematizar (apresentar 3-5 perguntas sobre o conteúdo do livro para reflexão e discussão crítica com a turma)
1. Quais serão as semelhanças da sociedade do livro com a nossa sociedade atual?
2. Será que estamos a caminhar para esta sociedade?
3. Até que ponto não estaremos a ser controlados pelo nosso governo?
4. Será tão fácil manipular as ideias individuais em países com fácil e diversificado acesso á informação?
5. É possível controlar uma sociedade e explorar os medos pessoais de cada indivíduo?
Conclusões (Reflexão final e crítica do grupo sobre a obra)
Este livro deixa-nos a questão “Será que estamos a caminhar em direção a uma sociedade de controlo, de totalitarismos?”. Não é muito difícil pensar nisto visto que estamos a ver cada vez mais partidos como o chega (aqui em Portugal) cada vez mais a ganhar importância, o que deve ser algo preocupante pelos discursos radicalistas que eles apresentam. Na Rússia, Coreia do Norte e China vemos outros exemplos mais radicais em que vivem num regime totalitário em que, por exemplo, na China fazem scan facial quando se entra e depois controlam a pessoa através do reconhecimento facial, eles têm a capacidade de observar (e com isso controlar) todos os locais que aquela pessoa visite e isto devia-nos preocupar, mesmo estando longe devemos nos lembrar do quão rápido a tecnologia evolui e o quão rápido pode chegar aos nossos líderes de governo.


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