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Métodos empíricos

  • Foto do escritor: Ana Gomes
    Ana Gomes
  • 23 de out. de 2021
  • 5 min de leitura

Atualizado: 27 de fev. de 2022

O empirismo


O empirismo tem como objetivo “reunir e categorizar os factos ou dados objetivos sobre o mundo; formar hipóteses para os explicar; eliminar deste processo, tanto como possível, qualquer parcialidade ou elemento humano; conceber métodos experimentais para testar e provar a fiabilidade dos dados e das hipóteses.” (Fiske, 2005, p. 182), este “defende que toda a estrutura cognitiva é formada com base na experiência prática, de modo que, quanto mais vastas, intensas e ricas as nossas experiências, mais amplo e profundo torna-se o nosso conhecimento” (Porfírio, 2007).

A pesquisa empírica gira em torno da necessidade de comprovação prática, que pode ser feito e reparado através de experimentos e observações.

Por exemplo, quando paramos para analisar a semiótica e observamos toda a questão dos códigos, percebemos que a semiótica segue uma corrente filosófica. Os métodos empíricos podem ser vistos como a parte “racional”. Tem o seu foco voltado para a razão, para o estudo prático e cientifico.


Análise de conteúdo


O método empírico é uma excelente maneira de se fazer uma análise de conteúdo. Para que análise seja feita, é necessário que o conteúdo seja facilmente identificado, ou seja, deve ter uma frequência de determinado acontecimento para assim ser analisado de uma maneira válida. A pesquisa empírica fornece-nos maior concretização das argumentações. Sendo assim: Testar hipótese = Causa e efeito (Fiske, 2005, p. 193).

O autor exemplifica o funcionamento da análise de conteúdos pelo método empírico com o estudo dos discursos de Kennedy e Nixon. Foi feito um estudo das palavras utilizadas pelos candidatos à presidência dos Estados Unidos, no ano de 1960.

O estudo assentou na análise das palavras mais utilizadas por eles durante os seus discursos, mais especificamente 3 destas palavras, sendo elas: "Tratado"; "ataque" e "guerra". Foi contada a quantidade de vezes em que cada uma dessas palavras foram ditas por cada um, podendo assim definir qual era a linha de pensamento dos candidatos.

No estudo, foi concluído que Nixon estava a pender para o lado mais bélico, o seu pensamento era voltado para a guerra e conflitos. Já Kennedy mostrou-se mais pacífico e conciliador. A palavra "guerra" foi dita por Nixon 18 vezes e por Kennedy, 12 vezes. A palavra "tratado" foi dita por Kennedy 14 vezes, e por Nixon, 4.

O estudo demonstra que o método empírico é objetivo, ou seja, não tem tendência para um dos lados mas analisa ambos igualmente. O estudo de Nixon e Kennedy mostra também que o estudo da análise de conteúdos pelo método empírico consegue compreender a mensagem como um todo.


Diferencial semântico


O modelo diferencial semântico foi desenvolvido por Charles Osgood como forma de estudar os sentimentos, as atitudes ou as emoções das pessoas relativamente a certos conceitos. Através do diferencial semântico faz-se o estudo de como as pessoas se sentem em relação a determinado código. De acordo com o exemplo dado no documento, a maneira como o repórter fala difere na forma como os espectadores o vêm. O repórter pode ser visto como rígido, descontraído ou autoritário.

Para este método de estudo são necessárias três fases:

1º Identificar os valores a serem investigados e a sua expressão como conceitos binariamente opostos, numa escala de cinto ou sete pontos;

2º Pedir para que os grupos selecionados esbocem as suas reações para cada uma das escaladas apresentadas;

3º Realizar a avaliação dos resultados.

A pesquisa realizada por Baggaley e Duck, feita em 1976, focava-se em saber se havia ou não uma diferença de significado entre o apresentador. Dependendo do ângulo da câmara, pode ser mudado o sentimento que o apresentador transmite ao público. A análise consistiu em duas gravações realizadas em vídeo e em simultâneo. Tais gravações são feitas em diferentes ângulos, um a partir da camara a que ele se dirige e o outro a partir de um ângulo de três quartos. A distancia entre a camaras era praticamente a mesma e a variação ocorria apenas nos ângulos (Fiske, 2005, p. 195).

A primeira fase da experiencia de Baggaley e Duck inicia-se com a determinação de 14 valores que avaliam as reações que os espectadores sentem ao ver o apresentador. A avaliação deve ser feita de maneira imparcial e a discussão que ocorre entre os espectadores deve ser gravada para que as reações e as expressões utilizadas por eles com mais frequência sejam analisadas.

Na próxima fase da experiência Baggaley e Duck mostram vídeos a diferentes audiências, estas não sabiam da existência de outro filme o outras audiências e também não sabia do aspeto significativo do filme.

Na fase três, foram apresentadas as posições dos 14 valores de acordo com o sentimento do publico sobre o apresentador (Fiske, 2005, p. 195).

Como as audiências eram pequenas, o foco da análise estava nas grandes diferenças. O mais curioso sobre o experimento foi a reação do público na gravação do apresentador feita no ângulo de três quartos. O ângulo de três quartos despertou nas audiências uma visão mais positiva sobre o apresentador, 2 fê-lo parecer mais descontraído, mais humano, justo, preciso, tolerante, etc. O que Baggaley e Duck fizeram foi mostrar, através do método empírico, o teste de comutação. Testaram a diferença do significado operante.

O autor revela que as conclusões tidas por Baggaley e Duck são interessantes, pois muitos acreditam que os códigos e significações mostradas pela televisão e pela vida real, são os mesmos.

O estudo mostra que, na realidade, os dois são opostos. Enquanto num encontro face a face, quem passa segurança no que fala é quem está a olhar para frente, na televisão, a posição no apresentador num ângulo de três quartos passou mais confiança. Mostra também que os códigos produzidos são códigos de conotação, deriva da forma do significante e da alterada a partir das mudanças de ângulos "Usando o diferencial semântico, deveria ser possível constituir o paradigma dos ângulos de câmara significativamente diferentes" (Fiske, 2005, p. 196)


Etnografia das audiências


Os métodos empíricos tratam a comunicação como uma serie de mensagens, não tendo em conta os processos de decodificação ou leitura. A semiótica e o estruturalismo preocupam-se com a estrutura da comunicação, “detetam as ligações entre a estrutura das mensagens da comunicação e a estrutura da sociedade em que operam” (Fiske, 2005, p. 208).

Para a semiótica e o estruturalismo, as mensagens não suportam significação; são apenas os agentes de produção e transporte dessa, ou seja, são agentes de poder social.

O estruturalismo e a semiótica receberam também criticas relativamente a causarem facilmente a deslocação entre as estruturas textuais e sociais e ignorarem, na pratica, as ligações entre a sociedade e o texto que só podem ser feitas através do destinatário ou leitor.

“É o ato ou processo de ler o que o texto e a sociedade encontram” (Fiske, 2005, p. 208). O estudo etnográfico desenvolve-se para investigar esse processo e para testar as leituras semióticas ou estruturalistas de textos, comparando-as com as leituras que as pessoas fazem ou dizem fazer.

O trabalho etnográfico acarreta alguns problemas. Primeiro está o papel do investigador e o efeito que a sua presença tem. O etnógrafo antes era apenas um observador, mas de certa forma passou a usar a sua experiência como ponto de vista para participar no processo ao invés de apenas o observar. “A presença do observador deve fazer alguma diferença – observadores mais compreensivos e amistosos obterão inevitavelmente reações diferentes das obtidas por outros mais científicos e distantes, e este tipo de etnografia não pode ser uma ciência empírica objetiva” (Fiske, 2005, p. 215) esta presença deveria ser também designada por “etno-semiótica” (Fiske, 2005, p. 215).

Após isso está a interpretação de dados, o trabalho etnográfico difere do empirismo pois este mostra “um processo cultural em ação que requer interpretação através de um método teoricamente informal” (Fiske, 2005, p. 215)

O modelo metodológico é linguístico, as audiências não são a representação de uma categoria social objetiva.





Fiske, J. (2005). Introdução ao estudo da comunicação. Porto: Edições ASA. Porfírio, F. (2007). Empirismo. Obtido de Mundo Educação: https://mundoeducacao.uol.com.br/filosofia/empirismo.htm

 
 
 

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